TECNOLOGIA NA CONSTRUÇÃO PESADA DO BRASIL: UM PARADGMA A SER QUEBRADO – PARTE II

|   Construção de Estrada

Sem dúvida a tecnologia custa mais caro no Brasil do que na Alemanha, como qualquer outro produto importado. Comprar tecnologia embarcada não é a mesma coisa que comprar material rodante, peças de desgaste ou pneus. A tecnologia requer um planejamento de implantação. Equipes precisam ser envolvidas.

 

No primeiro artigo da nossa série, falamos sobre o cenário geral da tecnologia para o segmento de construção pesada no Brasil.

Mas, afinal, como introduzir a tecnologia dentro deste setor? Preparamos alguns tópicos para que você compreenda o que é preciso para criar a cultura de tecnologia na sua empresa:

 

 1 - Investimento

O investimento em tecnologia embarcada para máquinas de construção pesada é diretamente proporcional aos quatro fatos apresentados abaixo.

Fato 1 - Como já foi explicado no artigo anterior, o Brasil não é uma nação que fomenta o desenvolvimento tecnológico. Como resultado exportamos matéria prima e importamos produtos acabados.

Fato 2 - Outro fator importante é a alta carga tributária brasileira.

Fato 3 – Mão de obra especializada. Apesar de o Brasil formar milhares de engenheiros e técnicos a cada semestre, as empresas de tecnologia embarcada têm dificuldade de encontrar mão de obra especializada em território nacional. Como resultado, empresas como a MOBA, contratam e formam seus profissionais.

Fato 4 – Quanto maior o nível de automação e integração, maior é o nível da tecnologia embarcada, portanto maior o custo da solução.

 

Para refletir:

Sem dúvida a tecnologia custa mais caro no Brasil do que na Alemanha, como qualquer outro produto importado.

Comprar tecnologia embarcada não é a mesma coisa que comprar material rodante, peças de desgaste ou pneus.

A tecnologia requer um planejamento de implantação. Equipes precisam ser envolvidas.

 

2 - Impacto cultural

“Tô achando que eles estão colocando esses aparelhos para depois mandar a gente embora.”

Esse foi o relato de um operador ao chegar para trabalhar e descobrir que a sua máquina estava parada para instalação de um sistema. Qual a chance dessa obra extrair o máximo de benefícios da tecnologia? MÍNIMA – Falhou ao não envolver as equipes de campo.

 

Por mais que o mundo desenvolva no sentido da inteligência artificial, as operações ainda serão dependentes de seres humanos por muito tempo.

 

O maior desafio para a implantação de tecnologia não é ter recursos para investimento. A MOBA, assim como outras empresas de tecnologia no Brasil, são grandes entusiastas do desenvolvimento do setor e não medem esforços para fazer com que o cliente implante a tecnologia em suas operações.

 

O grande desafio é o IMPACTO CULTURAL.

 

Para refletir:

Quando a empresa toma a decisão de investir em tecnologia, ela deve envolver as suas equipes de campo, explicar o propósito e como cada um é peça fundamental para a roda girar.

Assim como a manutenção das máquinas tem um “dono”, a tecnologia também deve ter. E esse “dono” não pode ter cenários conflitantes como: menos tecnologia, menor dificuldade de manutenção.  Se cada um estiver no “seu quadrado”, cada um terá que enfrentar os desafios da implantação da tecnologia sob uma perspectiva diferente.  Enquanto o “dono” da manutenção tem como meta aumentar a disponibilidade de seus equipamentos, fazê-los rodarem. O “dono” da tecnologia tem como meta aumentar a produtividade dos equipamentos em campo, fazer mais com menos. Menos horas, mais trechos em conformidade.

Disponibilidade de máquina e produtividade de máquina são assuntos diferentes e requerem profissionais com competências diferentes.

  

Adoraríamos poder falar que tudo é fácil, mas a grande verdade é que quanto maior o nível de tecnologia, maior é o impacto cultural e maior o esforço por parte da construtora para o sucesso da implantação.

 

3 - 8  ou 80: essa não é a melhor solução

“Aqui na demonstração tudo funciona. Quero ver funcionar na minha obra.”

Esse foi o relato de um engenheiro em uma demonstração de tecnologias 3D. O ponto de vista dele está corretíssimo!

Diversas são as vezes que recebemos pedidos de cotações de sistemas 3D, aqueles que embarcam o projeto da obra dentro da máquina. Este tipo de sistema em operação, independente do fabricante, emociona qualquer entusiasta de tecnologia. É realmente bonito de se ver!

 

Porém, quando a obra não tem os mínimos requisitos para a implantação desse alto nível de tecnologia, o resultado pode ser longe da expectativa e a obra nunca atingir o retorno do investimento esperado.

Mas por que essa implantação é tão difícil?

Vamos fazer uma analogia. Imagine que você andou a vida inteira de fusquinha, aqueles que a gente colocava na banguela para descer o morro e economizar combustível. Um belo dia você acorda e ao invés do seu velho fusquinha, tem um Tesla S na sua garagem. Você provavelmente teria dificuldades até em abrir a porta do carro.

 

Dificuldade semelhante é o que acontece na sua obra quando alguém decide implantar o 8 ou 80. Você sai do 0 de tecnologia para o máximo de tecnologia de um dia para o outro.

Poucas são as construtoras brasileiras que tem equipes preparadas e com as competências necessárias para essa mudança brusca da forma de trabalhar.

 

Países que utilizam este tipo de tecnologia acompanharam o desenvolvimento da solução e trabalharam com tecnologias mais simples antes de partirem para o top de linha. Implantaram uma cultura de tecnologia e produtividade dentro de suas operações ao longo do tempo.

Nos EUA existem sindicatos de operadores que oferecem treinamentos de reciclagem em tecnologia embarcada para que os operadores se mantenham atualizados. São realidades diferentes! Não podemos exigir que um operador de motoniveladora brasileiro entenda toda a estrutura de um sistema 3D, se até ontem era só ele e a máquina.

 

Para refletir:

Os sistemas 3D, orientado por GNSS RTK ou estação total robótica, podem trazer o máximo de benefício para a obra. A produtividade proporcionada por este tipo de tecnologia, não tem igual. Mas se o impacto cultural for negligenciado, esses benefícios e essa máxima produtividade podem nunca ser alcançados.

A implantação de uma tecnologia 3D de sucesso requer uma integração entre as equipes de Projeto, Topografia, Operação e Manutenção. Em muitas obras brasileiras essas equipes sequer se falam.

Esperamos que estes tópicos tenham deixado um pouco mais claro o real desafio de implantar a cultura da tecnologia em sua obra. Mas você deve se perguntar: “Mas por onde eu começo?”

 

Falaremos disso em nosso terceiro e último artigo dessa série.

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Ainda não leu a primeira parte desta série? Leia aqui!


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